Então o cara (ou a menina, hoje em dia, graças a Deus, as meninas também estão lendo HQs) chega na banca e diz pra si mesmo: “hoje queria ler alguma coisa diferente”. Começa a procurar e encontra DC Apresenta, DC Especial, Universo DC, Superman, Superman & Batman, Batman, Batman Extra, Homem-Aranha, Marvel Action, Marvel Especial, Marvel Millennium, Universo Marvel, Marvel Apresenta, Marvel Isso, Marvel Aquilo, isso sem contar as miríades de X-Men, X-Men Extra, X-Men Especial, X-Factor, X-Bacon, X-Coração sem ovo, X-Pirito, X-Bagaça, X-Panela… aí os caras colocam dois mangás na prateleira e dizem: “Ó, temos alternativas pra quem está com o saco cheio de Marvel/DC.”. Sabe o que eu digo pra eles? Enfiem toda esta MERcaDoriA no buraquinho do dente!!! Que tal alguma coisa diferente MESMO, como a Cedibra, no começo da década de 90 tentou, com os personagens da FIRST? Não me entendam mal, gosto muito da Marvel e da DC, é inegável o alcance e a influência social das duas grandes, mas cá pra nós, vide novela da Globo, tá SEMPRE a mesma coisa – com o justo reconhecimento à Marvel MAX e à Linha Vertigo.
Agora, por que não rola um material beeeeeeem alternativo? Sabem por que? Porque os leitores têm medo de experimentar. Ahhh, pois é, a culpa é sempre do leitor. Claro, o cara vai lá, compra o gibi, gosta, quer a continuação, mas como as vendas foram pequenas, a editora simplesmente CASTRA o quadrinho e o leitor que se exploda. Isso quando o leitor compra, porque com os preços dos gibis… os caras chutam totalmente o balde. Não me venha dizer que um exemplar de 100 páginas, com tiragem superior a 10 mil cópias não pode ser vendido por – por exemplo – uns 15 reais. Ahhh tá, então tá bom! Pode ser até por menos! O problema é que a incompetência editorial (não só editorial, parece que neste país a incompetência é premiada) está sempre atravancando o progresso. Claro, os leitores também contribuem, comprando só o X-Men Especial, X-Factor, X-Bacon, X-Panela… , agora por que não tentar reverter este comportamento? Acho imprescindível (e aqui assumo a responsabilidade pelo que estou dizendo, pois é minha humilde opinião) que exista mais coragem e, principalmente, COMPETÊNCIA nas decisões editoriais se quisermos um dia, ao chegar na banca, poder ter uma liberdade de escolha que me permita comprar um título sem um X na capa.

E tenho dito!
Em tempo: até o fechamento da coluna chegou ao meu conhecimento que a Editora Landscape (http://www.editoralandscape.com.br) vai entrar na briga pelo mercado de HQs no Brasil. Vamos ver no que vai resultar essa iniciativa. Boa sorte e vida longa à Landscape!