Bonelli no Brasil & Mister No na Ferrovia do Diabo

Por Francisco de Assis dos Santos Filho

Todos sabemos que os fumetti, os quadrinhos italianos, nunca tiveram tanto sucesso quanto os quadrinhos de super-heróis. Tex e Zagor são duas exceções que ainda sobrevivem. Além deles, poucos conseguiram formar pequenos grupos de fãs fiéis, como a mais adulto e melhor construída HQ policial já vista: Julia, ou J Kendall Aventuras de uma criminóloga (título que mudou de nome por medo de uma concorrente que entrou na Justiça); ou outro da Bonelli, faroeste cheio de magia, de referências históricas e suspense detetivesco – Mágico Vento. O Corto Maltese não é lembrado nem pela citação no primeiro Cavaleiro das Trevas de Frank Miller.
Pena seu alcance ser curto e alguns serem cancelados no Brasil.
Mas isto foi para introduzir sobre um personagem muito legal e que teve lugar cativo no coração de leitores brasileiros apreciadores dos fumetti: Mister No, o aventureiro americano Jerome “Jerry” Drake, que serviu na Segunda Guerra Mundial e se refugiou em Manaus, capital do Amazonas, onde aluga seus serviços pilotando seu avião Piper em aventuras pela Amazônia.
O legal de Mister No é que o protagonista é uma “anti-herói” super-humanizado, que adora beber e namorar, trabalha para si próprio e se mete em confusões apenas por estar vendendo sua força de trabalho ou por tentar ajudar alguém indefeso. Esse senso de moral, um código de honra talvez fortalecido na Guerra, faz dele um herói diferente, quase inocente, que daqui a pouco estará rindo da própria sorte por escapar por pouco da morte, após se complicar por bobagem.
Este é Mister No, entre silvos de balas, facadas, selva, rios, jacarés e romances rápidos, lembrado com carinho pelos fãs dos fumetti.

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