A Democratização da Informação

Então lá estava eu lendo a maravilhosa saga do Novo Universo (já li quase tudo… parei na Psi-Force, ainda falta DP7 e Justice, além das duas mini-series, The Draft e The War) quando pensei: quero ler Wildstorm. Lendo WildCATs, quis entender sobre o Team One. Então, parei minha leitura e fui acompanhar as histórias desta equipe, o Team One do StormWatch e o dos próprios WildCATs. Quando acabar, vou pra Savage Dragon, leiturinha boba e despretenciosa, bem do jeito que eu gosto. Depois vai ser a vez de Eternal Warrior, da Valiant, onde vou ler tudo que puder desta editora, inclusive o aclamado e premiadíssimo Harbinger. Atualmente estou querendo todas as edições de Rising Stars, pra ler após acabar Valiant… “pô”, pensei comigo, “tenho acesso a coisas que pensei que JAMAIS leria, mas que maravilha!!”… E é verdade, vocês já pararam pra pensar que os scans na ‘net fazem parte de um enorme esforço conjunto de DEMOCRATIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO

 

 Feira de Acari

 

Um leve exercício de reflexão se faz necessário:

A moeda do Século XXI é a INFORMAÇÃO. Estejam CERTOS disso. Certos! Quem detiver a informação mandará no Planeta. Logo, se informação é tão importante (eu diria NECESSÁRIA) ela é VENDIDA. Isso se aplica ao entretenimento também… Todo mundo quer saber o final da saga, isso também é informação. Então, HQs, filmes, etc. entram no rolo. Todo esse esforço de escanear, disponibilizar pra nós, meros mortais, apreciadores de uma boa história, isso meio que mina a resistência de quem cria a história, porque não vai ver mo dim-dim no final do mês, certo? ERRADÍSSIMO! O cara que escreveu, o cara que desenhou, o que letreirou, etc, JÁ RECEBERAM seu salário. Quem amarga o “prejuízo” é a EDITORA! E essa, sim, quer seu suado dinheirinho! Levem em conta que sempre há os independentes, mas história ruim por história ruim, eles que se ralem se a deles for uma me*da! A história boa eu vejo no scan e depois compro no papel. Outra coisa maravilhosa, se os caras produzem (PREÇO UNITÁRIO) as revistas por R$ 3, porque diabos as vendem por R$ 15??????? Esses são outros que tem que tomar prejuízo, estão pensando que o leitor de HQs é BANCO??

 

Enfim, tudo nos leva de volta a grande jogada que é TER ACESSO A INFORMAÇÃO! Todos os dias eu agradeço ao DCP, ao Oro Boros, e a todos os outros “desocupados” que nos enviam os nossos preciosos gibis. E aos INÚMEROS tradutores (muitos dos quais tenho um contato direto – se email for considerado direto, he, he) e também peço proteção por cada um deles. E Deus preserve sempre forte e saudável essa facção de seres humanos – não, não os que criam as histórias (esses também), mas os que NOS FORNECEM MEIOS DE PODERMOS DESFRUTAR DE TAIS ENTRETENIMENTOS. De nada me serve uma Ferrari se e não posso andar nela.

 

E tenho dito!!!!

Exercício de Lógica


Então estava eu discutindo com algumas pessoas cuja inteligência eu respeito sobre as Mega-adaptações de HQs pro cinema (Watchmen provavelmente será a melhor de todas, mas, como bom cético, eu só acredito vendo…) e eis que chegamos a um ponto crucial: as HQs que fazem o filme estourar nas bilheterias ou os filmes que fazem as revistas venderem milhares nas bancas?

Pois bem, reflitam comigo e vamos fazer um pequeno exercício de lógica:

- nunca se vendeu tantos encadernados de Watchmen como ultimamente, mesmo com o filme longe de estrear nos cinemas;

- Superman, Batman e Homem Aranha (não necessariamente nessa ordem) são os super-heróis mais famosos do Planeta. E por quê? Porque suas respectivas editoras investiram em outras mídias (TV, rádio e – rufem os tambores: cinema) que os projetou a um patamar que os outros personagens (com a exceção do Carcaju) provavelmente JAMAIS alcançarão;

- Hulk, Capitão América, mulher Maravilha também tiveram suas passagens por outras mídias, maaaaaas, no cinema, que é o grande holofote para a fama, não passaram perto.

- Spawn, no auge (hahahahahaha… oops, desculpe) de sua popularidade teve um filme. Segue-se a este fato uma explosão nas vendas do personagem, que não saia dos Top 10. Hoje o soldado do inferno (que espero que seja o mesmo destino que seu criador tenha) não fica nem entre os 100 mais vendidos nos EUA…

O que se tira desta lição? Que o cinema é o grande impulsor de vendas e de popularidade dos quadrinhos certo? ERRADÍSSIMO! Qualquer analfabeto sabe que o gibi mais vendido do Mundo dos Super-Heróis é os X-Men (na verdade qualquer BO*TA com o “X” vende milhares de exemplares). O Aranha nunca teve um filmezinho sequer até o Século XXI e já era o herói com mais vendas da Marvel (possivelmente o mais vendido do Mundo, no quesito superheroístico). Já ao contrário, o Justiceiro teve dois (hahahaha) filmes e não vende absurdamente. E a DC se caga de medo de fazer filme de qualquer outro herói que não seja Batman/Superman com medo de sair umas bombas nucleares ao melhor estilo Aço ou Mulher-Gato.

Sendo assim, cabe a nós pensarmos que:

1) O cinema é uma MULETA, um impulso de vendas, para personagens estabelecidos;

Logo…

2) Histórias em Quadrinhos vendem mais quando seus personagens têm passagens pelo cinema;

Logo…

3) os quadrinhos serão mais consumidos pois eles estão “na moda”, “em voga”, como queira;

Logo…

4) Isso é um círculo de crescimento de vendas que só faz aumentar a popularidade do personagem podendo ou não ser levado a um possível filme no cinema;

Logo…

5) Terá mais quadrinhos, como adaptação do filme e outras bobajadas dessas.

Logo…

6) E SE CONSCIENTIZE DISSO: VOCÊ, FÃ DE QUADRINHO, É A BASE MAIS FORTE, O MAIS FIEL SEGUIDOR DO PRODUTO REVISTA EM QUADRINHO/FILME/CANECA DE CAFÉ/QUALQUER MERDA QUE TIVER SEU PERSONAGEM FAVORITO DO MUNDO! Mais do que faz de Rock, mais do que fãs de futebol, mais que TUDO! Saiba bem isso! Tire proveito disso! É o mais lógico a se fazer!

E TENHO DITO!

Histórias Ruins

Então fui eu ler o Gran Finale de Ultimates volume 3. “Gran finale”…

Grande ME*DA, isso sim! Como é que o Jeph Loeb consegue ganhar dinheiro? Pelo amor de Deus, MEU CACHORRO escreve melhor que ele. Aconselho quem ainda não leu Ultimates v3 #5 que pare de ler aqui,
porque tem muita coisa que acontece na história e pode ser que deixe de surpresa pra alguém. Pois é, eu poderia ter usado a palavra SPOILERS, né? Mas não, “SPOILER” significa arruinar um acontecimento
admirável da HQ. Não é o caso. Não tem NADA agradável na história do Loeb. Claro, a revista em si tem um ponto MUITO positivo: a maravilhosa arte! MARAVILHOSA! (Se alguém ainda não entendeu, “maravilhosa” por causa do nome da editora, capicce?… Oh, well…).
Bom, a arte pode ser um atenuante pruma historinha de me*da como essa, mas mesmo assim não vale os US$2,99 da capa (quase R$ 10 aqui no Brasil, ta louco, vai ser imbecil pra pagar por uma história ruim
dessas na casa do carvalho). Bom, adelante, aos “SPOILERS”:
O que acontece na história:

- O Loeb não sabe (nem sonha) como se escrever uma historia usando o personagem Thor;
- O Loeb não sabe (nem sonha) como se escrever uma historia usando o personagem Wolverine;
- O Loeb não sabe (nem sonha) como se escrever uma historia usando o personagem Pantera Negra;
- Não tem a menor noção de desenrolar de trama;
- Não saberia JAMAIS manter a atenção do leitor se não trabalhasse com personagens sem tanto apelo como o do eixo Marvel/DC;
- Não explica me*da nenhuma de suas “tramas” entrelaçadas (que cá pra nós não é de se espantar, dada a limitada “criatividade” desse escritor); e
- Não cumpre a função principal de uma boa HQ: entreter!

Po**a, por que diabos bons escritores são tão raros hoje em dia? Não é possível, o Loeb esse deve ter um pacto com o diabo, pra continuar ganhando dinheiro mesmo só fazendo bo*ta! Se vocês puderem EVITAR o
material do Loeb, aconselho fortemente que o façam. Estarão economizando três coisas:
1) Dinheiro;
2) Tempo;
3) Sinapses cerebrais e acreditando que gibi é coisa pra crianças…
Sim, porque você acaba de ler a revista e fica pensando, “mas que coisa terrível, como podem ter publicado isso? Será que eu sou inteligente demais pra esse tipo de publicação?”.

O que me traz ao cerne da questão: por que há tantas histórias ruins no mercado de HQs?? Porque os fanáticos (diferente dos fãs, os fanáticos são descerberados que engolem qualquer bo*ta que as editoras mandam pra eles. Se você é assim, não se preocupe: eu também já fui um, e graças a Deus, evoluí) não reclamam de nada que empurram goela abaixo pra eles. Sabe como uma empresa melhora sua situação? Fazendo boas escolhas. E como Se adquire boas escolhas? Com experiência. E como se adquire expreiência? Fazendo MÁS ESCOLHAS. Agora, se não tem ninguém pra dizer que a coisa está indo pro lado errado, vc sempre vai achar que fez BOAS ESCOLHAS. E aí, prezado descerberado, a culpa das grandes editoras de histórias em quadrinhos insistirem em histórias ruins é SUA!

Mas, fiel leitor das boas histórias, não pense que sou um velho reclamção: a edição também teve um ponto favor. Um único ponto a favor… ver o Wolverine brigando contra o Doomsday (Apocalypse, da Morte do Superman). Oops, o que foi? Me esqueci de colocar SPOILER? Desculpe-me, é que SPOILER é pra uma coisa boa…

E tenho dito!!

Personagens profundos vs personagens ditos profundos

Então o cidadão brasileiro trabalhador e pagador de impostos chega na sua casa, depois de um dia de árdua labuta, querendo relaxar. Toma um banho bem quente, faz uma boquinha, coloca as tralhas pro outro dia em ordem e… vai ler seu gibizinho, a leitura nossa de cada dia… Eis que ele abre a revista e a história é a seguinte: um personagem tem vários problemas, mas consegue lidar com eles, ao mesmo tempo em que cuida da sua vida paralela – leia-se: a identidade de super herói, aí enfrenta um vilão, mas não o mata (ou o mata, mas ele sempre retorna) e no final briga com a namorada, que não o compreende. Sabe qual a única parte que se pode identificar com um personagem superficial desses? A parte que ele briga com a namorada, pq 90% das vezes nossos cônjuges não nos entendem (vale tanto pra homem quanto pra mulher essa parte, não sou TÃO machista assim). Ahhh pára, amigo e colega leitor de HQs, vai dizer que não está bem assim as coisas? Cadê a profundidade dos personagens? Não é possível que a galera ainda se prenda nas mesmas raias criadas/inventadas por Stan Lee nos anos 1960! Claro, funcionou muito bem na época, mas não está mais caindo na graça o personagem que era NERD, mas em sua versão heróica a menininha que ele é apaixonado é apaixonada por ele também. Nem o pai-de-família que não consegue ficar com o filho porque sua identidade dupla não permite. Pra entender melhor o que estou querendo dizer, basta ler “Mulher Maravilha do Stan Lee”. Já leram? Ilustra melhor do que uma aula o que eu quero dizer.

Por outro lado, existe WATCHMEN. Claro, chutei o balde, fui direto no top dos tops, a melhor história em quadrinhos sobre Super Herois que existe. E é fato. E contra fatos não há argumentos, apenas opiniões pessoais, que eu muito respeito, mas, please, pelamordeDeus, leiam Watchmen. É a quarta vez que estou relendo, e cada vez encontro coisas novas, elementos que não havia vislumbrado anteriormente. Caso você já tenha lido, faça um favor a si mesmo e RELEIA Watchmen. Vocês vão entender do que eu estou falando: personagens profundos e com tantas falhas que NEM VOCÊ iria querer andar perto deles. A Silk Spectre (Espectral) é maravilhosamente humana. O Rorschach é completamente louco, mas mesmo assim, o mais são deles. O Manhattan é um merda (com o perdão do baixo calão, mas é mesmo). O Coruja é inseguro, carente, bondoso, nossa, onde já se viu um herói broxar? Se algum dia eu escrever uma história, meu personagem também vai broxar, é o cúmulo da insegurança.

Outro maravilhoso exemplo é o Star Brand (Estigma, do Novo Universo). Esse cara pode fazer tudo – ao melhor estilo Manhattan – e mesmo assim não consegue sair de um relacionamento fadado a dar errado. O personagem era a alma do título. Tanto que quando resolveram focar o PODER ao invés do PERSONAGEM a revista foi cancelada em sete edições.

Rorschach
Enfim, o que eu quero dizer é que quanto mais passa o tempo, mais falhos nos mostramos, mais falha notamos que é a humanidade. Por que razão nossos heróis não deveram ser também? Eles já são tudo que não somos: possuem força sobre humana, invulneráveis, poderosos, mas ao mesmo tempo, seu caráter é igual ao nosso. Talvez até pior.

E tenho dito.

Incompetência editorial

Então o cara (ou a menina, hoje em dia, graças a Deus, as meninas também estão lendo HQs) chega na banca e diz pra si mesmo: “hoje queria ler alguma coisa diferente”. Começa a procurar e encontra DC Apresenta, DC Especial, Universo DC, Superman, Superman & Batman, Batman, Batman Extra, Homem-Aranha, Marvel Action, Marvel Especial, Marvel Millennium, Universo Marvel, Marvel Apresenta, Marvel Isso, Marvel Aquilo, isso sem contar as miríades de X-Men, X-Men Extra, X-Men Especial, X-Factor, X-Bacon, X-Coração sem ovo, X-Pirito, X-Bagaça, X-Panela… aí os caras colocam dois mangás na prateleira e dizem: “Ó, temos alternativas pra quem está com o saco cheio de Marvel/DC.”. Sabe o que eu digo pra eles? Enfiem toda esta MERcaDoriA no buraquinho do dente!!! Que tal alguma coisa diferente MESMO, como a Cedibra, no começo da década de 90 tentou, com os personagens da FIRST? Não me entendam mal, gosto muito da Marvel e da DC, é inegável o alcance e a influência social das duas grandes, mas cá pra nós, vide novela da Globo, tá SEMPRE a mesma coisa – com o justo reconhecimento à Marvel MAX e à Linha Vertigo.

Agora, por que não rola um material beeeeeeem alternativo? Sabem por que? Porque os leitores têm medo de experimentar. Ahhh, pois é, a culpa é sempre do leitor. Claro, o cara vai lá, compra o gibi, gosta, quer a continuação, mas como as vendas foram pequenas, a editora simplesmente CASTRA o quadrinho e o leitor que se exploda. Isso quando o leitor compra, porque com os preços dos gibis… os caras chutam totalmente o balde. Não me venha dizer que um exemplar de 100 páginas, com tiragem superior a 10 mil cópias não pode ser vendido por – por exemplo – uns 15 reais. Ahhh tá, então tá bom! Pode ser até por menos! O problema é que a incompetência editorial (não só editorial, parece que neste país a incompetência é premiada) está sempre atravancando o progresso. Claro, os leitores também contribuem, comprando só o X-Men Especial, X-Factor, X-Bacon, X-Panela… , agora por que não tentar reverter este comportamento? Acho imprescindível (e aqui assumo a responsabilidade pelo que estou dizendo, pois é minha humilde opinião) que exista mais coragem e, principalmente, COMPETÊNCIA nas decisões editoriais se quisermos um dia, ao chegar na banca, poder ter uma liberdade de escolha que me permita comprar um título sem um X na capa.

E tenho dito!

Em tempo: até o fechamento da coluna chegou ao meu conhecimento que a Editora Landscape (http://www.editoralandscape.com.br) vai entrar na briga pelo mercado de HQs no Brasil. Vamos ver no que vai resultar essa iniciativa. Boa sorte e vida longa à Landscape!